sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Entrevista com Eduardo Spohr

link da entrevista:[ http://www.sobrelivros.com.br/entrevista-eduardo-spohr/ ]



May – Primeiramente, tendo em vista as notícias recentes, queria saber como você se sente tendo um livro na lista dos mais vendidos da Veja, um dos índices mais considerados do Brasil?
Eduardo Spohr: É uma surpresa completa. Nunca pensei que aconteceria uma coisa dessas. Tudo o que espero é que isso abra espaço para novos autores nacionais de fantasia.

May –  Gostaríamos de saber alguma coisa sobre a sua infância. Você sempre quis ser escritor? A sua família incentivou? Você costumava ler, quando mais novo?
Eduardo Spohr: Não exatamente escritor. Sempre quis contar histórias. Escrevi minha primeira HQ aos 6 anos. Queria me expressar por meio de desenhos, mas como sempre fui ruim nisso, acabei migrando para outra mídia – a literatura. Não sou um poeta, mas apenas um contador de histórias que utiliza dos livros para difundi-las.
Não costumava ler quando criança. Nesta época, tudo chegava a mim por meio do cinema e da TV. Passei a tomar gosto pela literatura a partir da adolescência, por causa dos jogos de RPG.
May – Eu li que você demorou cerca de dois anos escrevendo o ABdA, mas a ideia para a história veio se desenrolando na sua cabeça por um tempo, antes de começar a escrever, ou foi algo de momento, que você começou a escrever e começou a fluir?
Eduardo Spohr: Eu já tinha muitas ideias desde o final da década de 90, mas foi só quando eu parei para escrever que consegui, finalmente, estruturar o romance.
May – Você está atualizado no cenário de literatura nacional e mundial? O que você acha do perfil dos bestsellers de hoje em comparação com os de alguns anos atrás (na era pré-Harry Potter e pré livros para jovens adultos)?
Eduardo Spohr: Acho que cada época tem suas tendências. Hoje temos um “boom” de literatura fantástica, e pessoalmente eu acho q isso vem muito do cinema, que com seus efeitos especiais também estão conseguindo, agora mais do que nunca, dar vida a esses “mundos” de fantasia.
May – Alguns autores apenas conseguem escrever à mão, outros apenas em total silêncio e uns apenas com música. Você tem algum tipo de ambiente ou “ritual” que lhe ajuda a liberar a criatividade?
Eduardo Spohr: Escrevo no computador mesmo, sem música, com o máximo de concentração possível. Acho que o único “ritual” que sigo é escrever durante o dia. Tenho uma rotina normal de trabalho, de 8 horas diárias, e isso me ajuda com a disciplina. Nunca seria capaz de trabalhar à noite, com sono, abastecido por litros de café e tabaco. Preciso estar descansado para render.
May – Para vender os primeiros milhares de cópias, você contou com a ajuda de seus amigos e um grande portal/blog de internet, qual você acha que é a maior dificuldade de um autor que opte por ter uma estratégia mais voltada para a internet (consequentemente, mais barata)?
Eduardo Spohr: Acho que a internet deve ser encarada como porta de entrada para as editoras. Devemos aproveitar a visibilidade da web para dar o “start” na obra, se comunicar com o público e criar um “hype” para tentar chamar a atenção de alguma editora q se interesse. Não vejo exatamente uma dificuldade nisso. Como eu disse, deve ser encarado como um caminho.

May – Algum personagem é um retrato de alguém que você conhece ou todos personagens possuem características de várias pessoas que você já conheceu?
Eduardo Spohr: Praticamente todos os personagens foram baseados em pessoas reais, com as devidas licenças poéticas, é claro. Vejo os artistas em geral como observadores do mundo e dos seres humanos. As pessoas são sua matéria-prima.
May – Você já teve algum problema com pessoas religiosas (extremistas) reclamando sobre o livro/a história?
Eduardo Spohr: Só daqueles que não leram. Todos os religiosos que leram a obra até o final compreenderam a proposta  do romance, que é ser uma obra de fantasia, de ficção.
May – Em algum momento você pensou em desistir? Por que não desistiu?
Eduardo Spohr: Nunca pensei em desistir, mas é curioso que várias pessoas me perguntam sobre isso. Imagino que deva ser comum esse tipo de coisa. Vejo muita gente com talento por aí, mas só talento não basta. Você precisa de determinação para concluir aquilo que começa.
May – Você tem outros livros, com outras temáticas, planejados? Pode adiantar alguma coisa sobre os temas? (não vamos falar de continuações ou não, por questões de spoilers)
Eduardo Spohr: O meu próximo livro já está pronto. Não terá nada a ver com ABdA, mas um terceiro, que estou escrevendo agora, se passa dentro do universo dos anjos. Ainda estamos planejando as datas de lançamento, mas não deve acontecer antes do fim do ano.
May –  Uma mensagem para os leitores, nerds e não nerds por aí, e para os aspirantes a escritores que estão animados e revigorados com seu sucesso?
Eduardo Spohr: Acho que uma boa dica é a que eu comentei acima: usar o poder da Internet para divulgar suas obras e fazê-las acontecer.

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